PRP: Conselho Federal de Medicina libera 4 tratamentos
Resumo: Publicada no Diário Oficial da União em 15 de julho de 2026, a Resolução CFM nº 2.464/2026 regulamenta o uso do PRP (plasma rico em plaquetas) como procedimento médico. Especialista com mais de dez anos de pesquisa no assunto explica para quem a técnica funciona, quanto custa, se é coberta pelo plano de saúde […]
Resumo: Publicada no Diário Oficial da União em 15 de julho de 2026, a Resolução CFM nº 2.464/2026 regulamenta o uso do PRP (plasma rico em plaquetas) como procedimento médico. Especialista com mais de dez anos de pesquisa no assunto explica para quem a técnica funciona, quanto custa, se é coberta pelo plano de saúde e por que ela “não é um líquido milagroso”.
Por Editoria de Saúde | Publicado em 15 de julho de 2026
“O PRP não é um líquido milagroso. Ele não regenera qualquer tecido, em qualquer paciente, em qualquer estágio da doença. É uma ferramenta terapêutica poderosa quando bem indicada, bem preparada e bem aplicada — e é exatamente por isso que o mau uso da técnica, por profissionais que não dominam o método, pode trazer resultados decepcionantes ou até complicações.”
O Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a norma que regulamenta o uso do plasma rico em plaquetas (PRP) pelos médicos no Brasil. Publicada no Diário Oficial da União em 15 de julho de 2026, a Resolução CFM nº 2.464/2026 revoga a anterior, de 2015 — que classificava a técnica como experimental e, por mais de dez anos, manteve seu uso restrito a protocolos de pesquisa. Segundo o texto oficial, o PRP é um produto biológico autólogo, isto é, derivado do sangue do próprio paciente. Para entender o que muda na prática, conversamos com o Dr. Otávio Melo, médico ortopedista, criador do Método Regenius, mestre em Medicina e Biomedicina, doutorando e pesquisador na área regenerativa há mais de dez anos.
Para compreender o PRP, convém explicar as plaquetas. O sangue tem uma parte líquida (o plasma) e uma parte sólida, formada por hemácias, leucócitos e plaquetas; estas são conhecidas por estancar sangramentos, mas têm uma segunda função decisiva para a medicina regenerativa: armazenam centenas de proteínas chamadas fatores de crescimento, que funcionam como “mensageiros” para comandar a cicatrização dos tecidos, estimular a produção de colágeno e modular a inflamação — são elas que formam a casquinha que estanca o sangramento e cobre a lesão até a pele se reconstruir. O PRP potencializa essa capacidade porque contém plaquetas em concentração muito acima do nível normal do sangue (de 5 a 10 vezes maior) e é aplicado diretamente no local da lesão, seja no joelho, no cotovelo ou na coluna. Por ser autólogo, é considerado um procedimento de baixo risco imunológico, embora, como toda intervenção médica, exija avaliação e técnica adequadas.
Feito em consultório, o procedimento é mais simples do que a maioria imagina, e o Dr. Otávio o resume em quatro etapas: coleta de uma pequena quantidade de sangue, idêntica à de um exame de rotina; centrifugação em alta velocidade, que separa os componentes por densidade (de um lado, hemácias e leucócitos; do outro, o plasma com as plaquetas); separação e concentração da fração rica em plaquetas, elevando os fatores de crescimento a níveis várias vezes superiores aos do sangue original; e aplicação guiada, com o concentrado injetado na lesão — sendo altamente recomendado o uso de ultrassonografia para garantir precisão cirúrgica. “A Resolução é clara em dois pontos que dão total segurança ao paciente”, observa o médico: “o PRP deve passar apenas por manipulação mínima e ser exclusivamente autólogo, do próprio paciente.”
Como é feito do sangue do próprio paciente, a qualidade do PRP depende diretamente da saúde metabólica de quem se trata, e condições que elevam as substâncias inflamatórias no sangue podem tornar o material inadequado: diabetes descompensada (sem controle glicêmico), alimentação rica em ultraprocessados, uso de álcool e tabagismo, deficiências nutricionais (vitamina D, ferro etc.) e desequilíbrios hormonais. “Antes de qualquer infiltração é indispensável uma avaliação médica rigorosa, com exames de sangue criteriosos. Em pacientes mais crônicos, muitas vezes recomendamos um período de preparo metabólico — ajuste de glicemia, correção de deficiências nutricionais e hormonais — antes de indicar a infiltração; pular essa etapa é um dos principais motivos de insucesso do tratamento”, afirma. (Mais detalhes no artigo do especialista sobre o tratamento do joelho com PRP: otaviomelo.com.br/tratamentos/infiltracoes-e-infusoes/prp-no-joelho.)
A Resolução autoriza o PRP como procedimento adjuvante para quatro condições osteomusculares: osteoartrite (artrose) de joelho, reparo meniscal, epicondilite lateral do cotovelo (o “cotovelo de tenista”) e discopatia lombar (coluna). “São as quatro condições em que o acúmulo de evidência científica é mais consistente”, explica o Dr. Otávio, destacando a palavra-chave adjuvante: “o PRP entra para somar ao tratamento, não para substituir os tratamentos consagrados pela literatura médica internacional.” O CFM permite, ainda, que em alguns casos o médico realize o uso off-label (indicações não previstas), conforme julgamento clínico, desde que existam critérios rigorosos de validação e evidências robustas de eficácia e que se explique claramente ao paciente que aquela indicação ainda não é uma das formalmente listadas.
“O PRP funciona e temos dados sólidos, mas ele não ‘cura’ a artrose”, pondera o médico — e a própria resolução do CFM proíbe expressamente oferecê-lo como promessa de cura milagrosa. Entre os estudos recentes de alto impacto, uma metanálise com 1.162 pacientes com artrose de joelho leve a moderada demonstrou melhora significativa da dor e da função física aos 6 e 12 meses; uma revisão com mais de 3.100 participantes apontou o PRP como superior ao ácido hialurônico e aos corticoides no alívio da dor a longo prazo (efeito de até 12 meses); e uma análise de segurança de 2025, com mais de 76 mil pacientes, indicou que o PRP teve a menor taxa de eventos adversos entre as opções injetáveis.
Detalhando por condição, a literatura mostra resultados positivos, porém moderados e específicos, o que reforça a indicação criteriosa. Na artrose de joelho, uma meta-análise de 11 ensaios clínicos randomizados controlados por placebo (1.616 pacientes de 7 países) encontrou redução moderada da dor (diferença média padronizada de −0,32) e melhora funcional (−0,28) frente ao placebo, enquanto outra revisão com mais de 3 mil pacientes (2021–2024) apontou queda média de 8,5 pontos na escala de dor WOMAC e ganho de 6,2 pontos no escore funcional IKDC. Na epicondilite lateral, um estudo duplo-cego multicêntrico com 230 pacientes mostrou 83,9% de sucesso com PRP em 24 semanas, contra 68,3% no controle, e outro ensaio encontrou 73% de sucesso com PRP contra 49–51% com corticoide. Nas discopatias/hérnia de disco lombar, a infiltração intradiscal de PRP reduziu a dor de 5,9 para 1,4 pontos em 6 meses, com regressão parcial de hérnias em alguns casos à avaliação por imagem.
O segredo do sucesso está na saúde do próprio paciente, pois o sangue é a matéria-prima: se há inflamação sistêmica — causada por diabetes descontrolada, má alimentação, tabagismo, álcool ou desequilíbrios hormonais —, o plasma concentrará mediadores inflamatórios em vez de fatores de reparação. Por isso, no Método Regenius realiza-se uma avaliação médica minuciosa e um preparo metabólico prévio, corrigindo deficiências antes de qualquer aplicação para maximizar as taxas de sucesso.
O procedimento ganhou os holofotes do esporte mundial com nomes como Rogério Ceni e Ronaldo Fenômeno (futebol), Tiger Woods (golfe), Rafael Nadal (tênis), Stephen Curry e Kobe Bryant (basquete) — e Neymar Jr. utilizou o tratamento em 2026, na preparação para a Copa do Mundo, buscando recuperação mais rápida e prevenção de novas lesões; entre artistas, Cláudia Raia, Luana Piovani, Ângela Leal, Glória Menezes e Tarcísio Meira também já fizeram tratamentos ortopédicos com PRP divulgados publicamente. “Esses nomes ajudaram a popularizar a técnica, mas cada organismo é único: o tratamento deve ser indicado com base no quadro clínico, não na fama de quem já fez”, alerta o médico. “O fato de um atleta ou celebridade ter usado PRP e voltado à ativa não garante o mesmo resultado para qualquer pessoa; esses casos têm acompanhamento multidisciplinar intenso e protocolos de reabilitação exclusivos, e cada paciente é único, com sua própria biologia, grau de lesão e comorbidades.”
A nova norma determina que os procedimentos sejam feitos preferencialmente com orientação por imagem — e, na coluna, o uso de imagem é obrigatório. “No procedimento guiado por ultrassom, o médico enxerga em tempo real onde a agulha está, garantindo precisão milimétrica e segurança, evitando vasos sanguíneos e nervos”, ressalta o Dr. Otávio. “Aplicar PRP sem visualização precisa da estrutura-alvo é como tentar acertar um alvo de olhos fechados; a ultrassonografia tira esse fator de sorte da equação.”
A aprovação do PRP é um grande passo para a medicina regenerativa no Brasil, que oferece outras alternativas para casos específicos. O hidrogel é uma evolução da viscossuplementação: enquanto o ácido hialurônico comum funciona como lubrificante temporário, o hidrogel oferece maior tempo de permanência na articulação (cerca do dobro) e excelente amortecimento de carga. O ozônio medicinal atua como potente modulador inflamatório, e as terapias com células da medula óssea ou do tecido adiposo — famosas por tratamentos de atletas como Cristiano Ronaldo e Tony Robbins — são abordagens distintas e promissoras para casos selecionados; ao contrário do PRP, que concentra plaquetas e fatores de crescimento, essas células têm potencial regenerativo próprio e que também podem ser utilizadas para potencializar resultados.
Na aplicação, o desconforto costuma ser leve, semelhante ao de uma injeção comum, e tende a ser menor quando guiada por ultrassom; o número de sessões varia conforme a condição e a resposta, com estudos citando protocolos de 3 a 5 aplicações em intervalos de 1 a 2 semanas (na artrose de joelho, por exemplo), embora alguns pacientes já refiram melhora após uma única. A indicação e a aplicação são atos médicos exclusivos — a resolução proíbe terminantemente delegá-los a profissionais não habilitados —, e pacientes com inflamação sistêmica (diabetes descompensada, tabagismo, alcoolismo, deficiências nutricionais e hormonais) podem precisar de preparo metabólico ou ser contraindicados conforme a gravidade. Os planos de saúde não cobrem o PRP, por ele não constar no Rol de Procedimentos da ANS: o tratamento é particular e o valor varia com a complexidade e o número de sessões, pois — como poucos médicos no Brasil têm treinamento aprofundado — o resultado depende diretamente da experiência do profissional no protocolo de centrifugação, no número de aplicações, na técnica de infiltração e no diagnóstico correto da causa da dor. Esses cuidados são a rotina do Instituto Regenius, em Belo Horizonte (MG), referência em medicina regenerativa e dor crônica, que sob coordenação do Dr. Otávio Melo realiza os procedimentos guiados por ultrassonografia, seguindo as novas diretrizes do CFM e as normas da Vigilância Sanitária.
Dr. Otávio Melo é médico ortopedista, especialista em cirurgia do joelho e tratamento da dor, mestre em Medicina e pesquisador nas áreas de medicina regenerativa e fotobiomodulação. Há mais de dez anos, atua com pesquisas e tratamentos relacionados ao plasma rico em plaquetas e a outras terapias regenerativas. É diretor técnico do Instituto Regenius, em Belo Horizonte.
CRM-MG 41116 | CRM-SP 197196
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