Erros no projeto podem virar prejuízo quando a obra já começou
Por: Katia Ramires – Falhas de planejamento identificadas durante a execução podem elevar custos, gerar retrabalho e comprometer o prazo de entrega da obra. Uma tubulação encontra uma viga onde deveria passar. Um ponto elétrico precisa ser deslocado depois que a parede está pronta. O espaço previsto para determinado equipamento não corresponde às necessidades da […]
Por: Katia Ramires – Falhas de planejamento identificadas durante a execução podem elevar custos, gerar retrabalho e comprometer o prazo de entrega da obra.
Uma tubulação encontra uma viga onde deveria passar. Um ponto elétrico precisa ser deslocado depois que a parede está pronta. O espaço previsto para determinado equipamento não corresponde às necessidades da instalação. Situações como essas ajudam a entender um problema conhecido na construção civil: decisões que não foram suficientemente coordenadas durante a fase de projeto podem aparecer somente quando a obra já está em andamento.
Para o empresário e project manager João Vinicius Alves Maciel, com cerca de 18 anos de experiência no setor de Arquitetura, Engenharia e Construção, antecipar esses conflitos é uma das maneiras de evitar que problemas técnicos se transformem em retrabalho, atrasos e custos durante a execução.
“O momento mais barato para encontrar um conflito é enquanto ele ainda está no projeto. Quando o problema chega ao canteiro, normalmente já existem materiais, equipes, serviços e prazos envolvidos na solução”, explica Maciel.
O desafio está no fato de que uma obra reúne diferentes projetos. Arquitetura, estrutura, instalações elétricas, hidráulicas e outras disciplinas precisam funcionar no mesmo espaço. Quando cada uma é desenvolvida sem uma coordenação adequada com as demais, incompatibilidades podem permanecer escondidas até o início da execução.
É justamente aí que entra a compatibilização de projetos, área que faz parte da atuação profissional de João Maciel. Em termos simples, o processo procura colocar as diferentes disciplinas lado a lado antes da obra para identificar interferências e ajustar soluções antecipadamente.
“Não basta ter um bom projeto de arquitetura, um bom projeto estrutural e boas instalações separadamente. Eles precisam conversar. Uma solução pode funcionar perfeitamente quando analisada sozinha e criar um problema quando é colocada junto das outras disciplinas”, afirma.
A tecnologia ampliou essa capacidade de análise. Ferramentas como BIM, modelagem tridimensional e sistemas digitais de coordenação permitem reunir informações e visualizar possíveis conflitos antes que eles sejam reproduzidos fisicamente no canteiro.
Segundo Maciel, entretanto, o ganho não está simplesmente em utilizar um software. “BIM não deve ser visto apenas como um modelo 3D bonito. O valor está em utilizar a informação para coordenar o projeto, analisar interferências e melhorar a tomada de decisão antes da execução”, destaca.
A experiência do especialista envolve desde estudos de viabilidade e implantação até projetos técnicos, infraestrutura, compatibilização e coordenação multidisciplinar. Ele já participou do desenvolvimento de empreendimentos residenciais, comerciais, industriais, turísticos e urbanos, contextos em que diferentes especialidades precisam trabalhar de forma integrada.
Essa coordenação ganha ainda mais importância em projetos de maior complexidade, nos quais uma alteração pode afetar diversas etapas posteriores.
“Quando uma equipe precisa improvisar uma solução durante a obra para resolver algo que poderia ter sido identificado antes, o impacto não fica necessariamente restrito àquele ponto. Uma mudança pode exigir novos ajustes e interferir na sequência dos serviços”, explica Maciel.
Por isso, ele defende que a compatibilização seja entendida como parte do planejamento e não como uma conferência realizada apenas quando os projetos já estão praticamente concluídos.
Para o especialista, a transformação digital da construção oferece recursos cada vez mais avançados, mas continua dependendo da experiência de quem interpreta as informações.
“A tecnologia nos permite enxergar mais cedo muitos problemas, mas ainda precisamos de profissionais capazes de analisar as relações entre arquitetura, estrutura, instalações e infraestrutura. Evitar retrabalho começa muito antes de alguém entrar no canteiro para executar a obra”, conclui João Vinicius Alves Maciel.