Carlos Wizard se associa à Veek, alvo de investigação do MPRJ por contrato de R$ 21 milhões
Ministério Público apura possíveis irregularidades em contratação sem licitação para distribuição de chips de internet; investigação aponta discrepância entre o serviço previsto e o executado e estima possível prejuízo de até R$ 14,5 milhões O empresário Carlos Wizard anunciou uma associação com a Veek Tecnologia S.A., empresa de telefonia móvel que está no centro de […]
Ministério Público apura possíveis irregularidades em contratação sem licitação para distribuição de chips de internet; investigação aponta discrepância entre o serviço previsto e o executado e estima possível prejuízo de até R$ 14,5 milhões
O empresário Carlos Wizard anunciou uma associação com a Veek Tecnologia S.A., empresa de telefonia móvel que está no centro de uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) envolvendo um contrato de R$ 21,24 milhões firmado sem licitação com a Fundação Cecierj.
O novo projeto, apresentado nas redes sociais como “Veek Wizard”, promete oferecer internet gratuita em todo o Brasil. Em uma das publicações, Wizard aparece ao lado de representantes da empresa e afirma: “Logo você conhecerá a VEEK e nunca mais pagará a conta de celular.”
O anúncio, no entanto, ocorre enquanto permanece em andamento um inquérito civil que apura possíveis irregularidades em uma contratação milionária da Veek pelo governo fluminense. Entre os pontos investigados estão a justificativa para a dispensa de concorrência, a quantidade de chips efetivamente distribuídos, o baixo número de ativações e um possível prejuízo de até R$ 14,5 milhões aos cofres públicos.
MPRJ investiga contrato firmado sem concorrência
O caso é objeto do Inquérito Civil MPRJ nº 2024.00037517, instaurado pela 7ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania da Capital.
Segundo documento oficial do MPRJ, o procedimento tem como objeto possíveis irregularidades na celebração do Contrato nº 025/2023, firmado entre a Fundação Cecierj e a Veek Tecnologia S.A.
O contrato, no valor de R$ 21.240.000, foi celebrado por inexigibilidade de licitação. Isso significa que a empresa foi contratada sem uma disputa convencional com outros possíveis fornecedores.
O Ministério Público classificou a investigação na área de patrimônio público e passou a apurar não somente a execução do serviço, mas também os fundamentos apresentados pela Cecierj para justificar a contratação direta da Veek.
A abertura de um inquérito civil não representa condenação antecipada da empresa ou de seus responsáveis. Entretanto, demonstra que o Ministério Público identificou elementos que justificaram a abertura de uma apuração formal sobre o contrato e sua execução.
Contrato previa 177 mil chips, mas apenas 31 mil teriam sido entregues
Um dos pontos centrais da investigação é a diferença expressiva entre a quantidade de chips prevista no projeto e o número de dispositivos que teriam chegado aos destinatários.
O contrato estava relacionado à disponibilização de acesso à internet para estudantes e participantes de programas educacionais vinculados à Fundação Cecierj.
Segundo informações divulgadas em abril de 2026, aproximadamente 177 mil chips estavam previstos no projeto. No entanto, somente cerca de 31 mil teriam sido efetivamente distribuídos.
A diferença é de aproximadamente 146 mil chips em relação ao total inicialmente previsto.
A apuração aponta ainda que, entre os dispositivos que chegaram a ser distribuídos, menos da metade teria sido ativada pelos usuários. Na prática, isso significa que o número de chips efetivamente utilizados pode ter sido ainda menor do que a quantidade entregue.
A discrepância entre o volume contratado, o total distribuído e o número de ativações está entre os elementos analisados pelo Ministério Público para verificar se os recursos públicos foram corretamente aplicados e se o serviço contratado foi efetivamente prestado.
Possível prejuízo pode chegar a R$ 14,5 milhões
A partir dos dados reunidos durante a investigação, o MPRJ estima que o possível prejuízo aos cofres públicos possa alcançar R$ 14,5 milhões.
O valor ainda está inserido no contexto de uma investigação e não representa uma condenação definitiva. Mesmo assim, a dimensão da estimativa reforça a gravidade das suspeitas e a necessidade de esclarecimentos sobre a execução do contrato.
Além da Veek, o inquérito apura a atuação da Fundação Cecierj e a eventual responsabilidade dos agentes públicos envolvidos na contratação, na fiscalização e na realização dos pagamentos.
O Ministério Público busca esclarecer por que a Veek foi contratada por inexigibilidade de licitação, quais serviços foram efetivamente entregues, quantos estudantes utilizaram os chips e se os pagamentos realizados correspondem ao que foi executado.
Investigação foi prorrogada e continua em andamento
O caso não foi encerrado. Em maio de 2026, o próprio MPRJ publicou ato comunicando a prorrogação do prazo de tramitação do processo nº 2024.00037517.
A decisão demonstra que, mais de um ano depois da instauração do procedimento, o Ministério Público considerou necessário manter a investigação em andamento para aprofundar a apuração e analisar as possíveis responsabilidades dos envolvidos.
Dessa forma, a associação anunciada por Carlos Wizard acontece enquanto a Veek permanece vinculada a um inquérito civil sobre um contrato de R$ 21,24 milhões, firmado sem licitação, que previa aproximadamente 177 mil chips, mas teria resultado na distribuição de somente cerca de 31 mil dispositivos.
O contraste entre a promessa de oferecer internet gratuita em todo o país e os questionamentos ainda sem resposta sobre a execução de um contrato público milionário amplia a necessidade de transparência por parte da Veek e dos demais envolvidos.
Procurados para esclarecer a associação com Carlos Wizard, a execução do contrato e os fatos apurados pelo Ministério Público, os responsáveis pela empresa não responderam até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fontes:
https://www.band.com.br/nacional/carlos-wizard-se-associa-a-veek-alvo-de-investigacao-do-mprj