Quando saber programar já não é suficiente
Por: Ana Paola – O mercado de tecnologia exige cada vez mais visão estratégica, capacidade de adaptação e domínio de novas competências além do código. Em um mercado transformado pela inteligência artificial, pela automação e pela crescente complexidade dos sistemas corporativos, escrever um bom código continua sendo essencial. Mas, para avançar na carreira, já não […]
Por: Ana Paola –
O mercado de tecnologia exige cada vez mais visão estratégica, capacidade de adaptação e domínio de novas competências além do código.
Em um mercado transformado pela inteligência artificial, pela automação e pela crescente complexidade dos sistemas corporativos, escrever um bom código continua sendo essencial. Mas, para avançar na carreira, já não basta. As empresas procuram profissionais capazes de entender o negócio, conectar tecnologias, organizar grandes volumes de dados e tomar decisões que podem impactar toda uma operação.
Essa mudança vem transformando a carreira de desenvolvedores que trabalham nos bastidores dos sistemas utilizados por grandes empresas. Se antes o foco estava principalmente em criar funcionalidades e resolver problemas técnicos, hoje os profissionais mais experientes assumem responsabilidades que envolvem estratégia, integração, segurança, escalabilidade e arquitetura de sistemas.
A trajetória de Bruno Rodriguez acompanha essa evolução. Em sete anos de carreira, o desenvolvedor brasileiro passou a atuar em projetos corporativos para empresas como BBVA, MAPFRE, AerCap Holdings, Johnson & Johnson e The Estée Lauder Companies, em setores que vão de bancos e seguros à aviação e bens de consumo.
Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Universidade de Mogi das Cruzes e detentor de oito certificações oficiais Salesforce, Bruno atualmente atua como Senior Salesforce Developer na VASS Consultoria de Sistemas, em projeto para o BBVA, na Espanha.
Sua área de atuação está ligada ao CRM, sigla para Customer Relationship Management. Embora o termo seja frequentemente associado a sistemas de vendas e relacionamento com clientes, nas grandes corporações essas plataformas assumiram uma função muito mais ampla. Hoje, conectam diferentes áreas da empresa, processam grandes volumes de informações e se comunicam com diversos sistemas internos e externos.
E, à medida que essa tecnologia se tornou mais complexa, também mudou o profissional responsável por construí-la.
Do desenvolvimento à arquitetura
No início da carreira, um desenvolvedor Salesforce normalmente trabalha na criação de funcionalidades, automações, componentes e regras de negócio. Porém, em grandes ambientes corporativos, não basta fazer uma aplicação funcionar. É necessário pensar em como ela continuará funcionando quando houver milhões de registros, milhares de usuários e diferentes sistemas trocando informações simultaneamente.
É nesse ponto que o trabalho se aproxima da arquitetura.
O arquiteto de CRM precisa decidir como os dados serão estruturados, como sistemas diferentes irão se comunicar, quais padrões de desenvolvimento serão utilizados e como garantir segurança, desempenho e escalabilidade.
A trajetória de Rodriguez acompanhou essa evolução. Na VASS, trabalhou no desenvolvimento de frameworks assíncronos e padrões de arquitetura para o ambiente Salesforce do BBVA. Na SEIDOR, atuou em soluções de arquivamento de dados em larga escala para a MAPFRE. Na Principal33, desenvolveu ferramentas configuráveis para a AerCap Holdings e, por meio da Globant, trabalhou na solução de gargalos de escalabilidade em sistemas da Johnson & Johnson.
São experiências que refletem uma mudança importante na profissão: o profissional mais experiente deixa de ser apenas quem executa uma demanda técnica e passa a participar das decisões sobre como a solução deve ser construída.
Hoje, espera-se que profissionais seniores compreendam não apenas programação, mas também arquitetura de dados, integração por APIs, segurança, automação, escalabilidade, governança e processos de negócio. Também precisam saber avaliar onde e como a inteligência artificial pode ser incorporada sem comprometer a confiabilidade dos sistemas.
A própria Salesforce vem destacando essa mudança. Em sua documentação voltada a arquitetos, a empresa coloca dados, integração, governança e interoperabilidade entre os elementos centrais dos ambientes corporativos que combinam sistemas tradicionais e agentes de inteligência artificial.
Em outras palavras, quanto mais fácil se torna gerar determinadas partes de um código, maior tende a ser o valor de quem sabe decidir o que deve ser construído, como os componentes devem se conectar e quais consequências uma decisão técnica terá para toda a organização.
No caso de Bruno, a passagem por projetos de diferentes setores ampliou justamente esse tipo de experiência. Bancos, seguradoras, empresas de aviação e multinacionais de bens de consumo possuem necessidades distintas, mas compartilham um desafio: dependem cada vez mais de sistemas capazes de conectar dados e processos de forma segura e eficiente.
O caminho de desenvolvedor a arquiteto, portanto, não representa apenas uma promoção ou mudança de título. Representa uma ampliação de responsabilidade.
O desenvolvedor continua sendo fundamental. Mas o profissional que avança na carreira precisa enxergar além do código. Em um cenário marcado por grandes volumes de dados, sistemas interconectados e inteligência artificial, espera-se que ele compreenda o negócio, antecipe problemas e construa estruturas capazes de acompanhar a evolução da empresa.
É essa combinação entre conhecimento técnico e visão sistêmica que vem definindo o novo perfil do profissional de CRM corporativo.