Vender cursos no exterior exige muito mais que tradução, explica Rodrigo Fernandez de Almeida
Por: Kátia Ramires – A adaptação cultural, as estratégias de marketing e o conhecimento do mercado local são fundamentais para conquistar alunos em outros países. Levar um produto educacional brasileiro para outro país pode parecer simples: traduzir as aulas, adaptar a página de vendas e começar a anunciar. Na prática, porém, a internacionalização de um […]
Por: Kátia Ramires – A adaptação cultural, as estratégias de marketing e o conhecimento do mercado local são fundamentais para conquistar alunos em outros países.
Levar um produto educacional brasileiro para outro país pode parecer simples: traduzir as aulas, adaptar a página de vendas e começar a anunciar. Na prática, porém, a internacionalização de um negócio digital exige decisões que vão muito além do idioma. Público, oferta, comunicação, aquisição de clientes e até a maneira de apresentar o produto precisam ser reconsiderados.
Essa é uma das áreas de atuação de Rodrigo Almeida, empreendedor, estrategista de marketing digital e cofundador da Pixel ’n Rock. Com mais de 20 anos de experiência em comércio eletrônico e negócios digitais, ele participa atualmente da estruturação de produtos educacionais, campanhas, automações e estratégias de expansão internacional.
“Traduzir é apenas uma parte da internacionalização. Podemos ter um conteúdo excelente em outro idioma e, mesmo assim, não conseguir vendê-lo se a oferta, a comunicação e a estratégia de aquisição não fizerem sentido para aquele público”, afirma Rodrigo Almeida.
Na Pixel ’n Rock, o trabalho de internacionalização inclui adaptação de conteúdos originalmente produzidos em português, tradução de vídeos, legendagem e localização de materiais comerciais. A estratégia também considera a maneira como esses produtos serão apresentados e distribuídos em diferentes mercados.
Para Rodrigo, essa diferença é fundamental porque o consumidor estrangeiro não deve ser tratado simplesmente como uma versão do brasileiro que fala outro idioma.
“Internacionalizar significa entender que estamos conversando com outro mercado. É preciso observar como aquele público recebe a mensagem, quais argumentos fazem sentido e como devemos organizar a jornada entre o primeiro contato e a decisão de compra”, explica.
A experiência da operação ajuda a dimensionar esse desafio. Documentação da Hotmart disponibilizada em 2026 registra 18.552 transações e vendas em 130 países nos 12 meses considerados, relacionadas aos projetos vinculados à agência. Os números demonstram o alcance internacional da operação no período, sem significar que todos os mercados tenham recebido estratégias idênticas. Parte desse alcance foi construída a partir de produtos originalmente desenvolvidos para o mercado brasileiro, demonstrando que a expansão internacional não depende necessariamente de uma audiência previamente estabelecida no exterior.
“Quando uma operação alcança públicos de diferentes países, não podemos imaginar uma estratégia única funcionando igualmente em todos eles. Os dados ajudam justamente a entender o comportamento da operação e onde precisamos fazer ajustes”, diz Almeida.
A inteligência artificial também passou a participar desse processo. Nos projetos descritos por Rodrigo, a tecnologia é utilizada na criação e adaptação de materiais, em fluxos automatizados de comunicação e atendimento e na localização de conteúdos educacionais para outros idiomas e públicos.
Isso não significa, segundo o estrategista, entregar toda a expansão internacional às ferramentas automatizadas.
“A IA aumenta nossa capacidade de execução, principalmente quando existe um volume grande de materiais. Mas tecnologia não elimina a necessidade de estratégia e revisão. Uma tradução pode estar correta e ainda assim não comunicar bem uma oferta naquele mercado”, ressalta.
Além do conteúdo, a internacionalização envolve decisões sobre aquisição de clientes. Campanhas, páginas, funis e automações precisam funcionar de maneira integrada, permitindo acompanhar desde a chegada do interessado até as etapas de conversão.
Para Almeida, é justamente essa integração que diferencia uma simples tradução de uma estratégia internacional.
“O objetivo não é colocar um produto brasileiro em outro idioma. É construir condições para que aquele conhecimento seja compreendido, apresentado e comercializado em outro mercado. Quando fazemos essa mudança de perspectiva, internacionalização deixa de ser tradução e passa a ser estratégia de negócio”, conclui Rodrigo Almeida. “Internacionalizar não é simplesmente vender para brasileiros que moram fora. É entender outros mercados, suas culturas e hábitos de consumo. O objetivo é construir ofertas que façam sentido para esses públicos, mesmo quando o especialista não fala outro idioma ou não possui presença internacional”, conclui Rodrigo Fernandez de Almeida.