Games independentes ganham espaço e transformam carreira de criadores brasileiros
Por: Ana Paola – Gabriel da Costa Alves analisa amadurecimento do setor e caminhos abertos pela produção autoral O desenvolvimento independente de jogos no Brasil passou por uma transformação significativa nas últimas décadas. O que começou como um ambiente formado principalmente por pequenos estúdios, equipes reduzidas e projetos autorais ganhou espaço em festivais, eventos especializados […]
Por: Ana Paola – Gabriel da Costa Alves analisa amadurecimento do setor e caminhos abertos pela produção autoral
O desenvolvimento independente de jogos no Brasil passou por uma transformação significativa nas últimas décadas. O que começou como um ambiente formado principalmente por pequenos estúdios, equipes reduzidas e projetos autorais ganhou espaço em festivais, eventos especializados e no próprio mercado de entretenimento. Para profissionais que acompanharam esse processo desde seus primeiros ciclos de expansão, a mudança também abriu novas possibilidades de carreira.
O ilustrador, concept artist e diretor de arte Gabriel da Costa Alves fez parte desse movimento. Com mais de 18 anos de experiência profissional, ele iniciou sua trajetória no Brasil e participou do desenvolvimento de jogos independentes antes de consolidar uma carreira internacional no mercado de games e entretenimento dos Estados Unidos.
“O desenvolvimento independente permitiu que equipes menores transformassem ideias próprias em projetos reais. Quando você trabalha em um jogo autoral, precisa encontrar soluções criativas mesmo com recursos e estruturas mais limitados”, afirma Alves.
Durante sua atuação como diretor criativo no Taw Studio, Gabriel esteve envolvido na direção de arte e nas decisões relacionadas ao desenvolvimento visual dos projetos. Entre os trabalhos daquele período estão Mr. Bree e Jelly Escape, títulos que conquistaram reconhecimento em eventos brasileiros especializados.
Mr. Bree recebeu o prêmio de Best Art Game no SB Games, em 2011, e Best PC Game, em 2012. No mesmo ano, Jelly Escape foi reconhecido como Best Online Game no BIG Festival.
“Os prêmios são importantes, mas existe também um aprendizado enorme durante a construção de um projeto independente. Arte, narrativa, tecnologia e experiência do jogador precisam conversar o tempo inteiro”, explica Gabriel.
O reconhecimento dos projetos também contribuiu para que o estúdio ampliasse sua atuação. A experiência adquirida com propriedades próprias passou a ser aplicada no desenvolvimento de trabalhos para terceiros, incluindo e-learning, advergames, projetos digitais e iniciativas voltadas ao setor público.
Para Gabriel, essa capacidade de adaptação é uma das características importantes da experiência adquirida em produções independentes.
“Quando uma equipe aprende a desenvolver algo desde o conceito, ela começa a enxergar o processo como um todo. Esse conhecimento pode depois ser aplicado a projetos muito diferentes”, observa.
Ao longo dos anos, a própria atuação de Gabriel acompanhou essa ampliação. Depois da experiência brasileira, o profissional passou a trabalhar no mercado norte-americano, assumindo posições como Lead Artist, Art Director e Senior Game Artist. Atualmente, atua como Senior Game Artist na Light & Wonder, em Chicago.
“Trabalhar em mercados e estruturas diferentes amplia muito a percepção sobre produção. Os projetos podem mudar de escala, mas fundamentos como composição, desenho, narrativa visual e clareza de comunicação continuam essenciais”, afirma.
Para novos profissionais, a evolução do mercado também significa maior necessidade de combinar criatividade com conhecimento técnico e capacidade de trabalhar de forma integrada.
“O jogo independente pode ser uma escola muito completa porque obriga o artista a entender não apenas a imagem final, mas por que aquela decisão visual existe e como ela contribui para a experiência do jogador”, conclui Gabriel.